domingo, 16 de janeiro de 2011

Déficit de atenção

Déficit de atenção dos alunos merece cuidado especial nesta volta às aulas

A época de volta às aulas traz a saudade da escola, dos amigos, professores e brincadeiras. Mas, para algumas crianças, o período pode representar tristeza, muita pressão e baixa auto-estima. Crianças com dificuldade de concentração ou socialização, hiperatividade e baixo rendimento escolar podem estar com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O diagnóstico não é fácil e o transtorno pode causar muito sofrimento às crianças e adolescentes que não receberem um acompanhamento adequado.

A professora Luciane Maria da Silva é mãe de três filhos. Dois deles têm TDAH. “É uma tristeza pra gente”, confessa. Ela conta que os filhos são muito agitados, têm um rendimento escolar baixo e não se relacionam socialmente. O mais velho, Pedro, tem18 anos e já foi expulso de várias escolas. “Era muito frustrante sair com ele da escola, lá ele era visto como uma coisa”, diz Luciane. A filha de 8 anos, Maria Júlia, demorou para ser alfabetizada e encontrou muitos professores despreparados para a sua situação.

Ver os filhos com dificuldades de aprendizado e de relacionamento e tornando-se cada vez mais introspectivos levou Luciane a buscar ajuda profissional. Hoje os dois tomam medicamentos e fazem acompanhamento com psiquiatras e psicólogos. Mas a agitação não acaba. “Eles não param, mal conseguem dormir e não se cansam”, revela a mãe. Junto com a agitação, vem também a inconstância de humor e a irritação, o que dificulta o convívio com outras crianças. A pequena Maria Júlia só se acalma um pouco quando está com seus animais de estimação.
O papel da escola

O modelo de educação inclusiva, em que crianças convivem com a diferença, exige uma preparação maior dos professores. Por isso, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe) oferece cursos de inclusão. Os professores aprendem a reconhecer as diferenças dos alunos e a trabalhar a socialização e aprendizagem destes considerando sempre suas particularidades. Para as escolas públicas existe também uma preparação orientada pela Secretaria de Educação, mas isso ainda é pouco para quem precisa lidar diariamente com tanta energia dessas crianças. A política de redução de turmas, por exemplo, só reduz uma turma de 32 alunos para 28, caso haja um com TDAH.

A professora de educação infantil Aline Ximenes diz que o trabalho com crianças portadoras de TDAH é feito respeitando as necessidades observadas para cada aluno e seguindo a indicação do profissional de saúde responsável. Caso a família ainda não saiba que a criança possui o transtorno, assim que notado, as escolas costumam aconselhar os pais a procurarem um especialista. Ela alerta que o diagnóstico só pode ser feito por um médico psiquiatra ou psicólogo da área. “Muitos pais se recusam a aceitar que seu filho tem uma necessidade especial e isso só atrapalha o tratamento”, afirma a presidente do Sinepe, professora Amábile Pácios.

É importante que o aluno não seja reconhecido apenas por ter um distúrbio, ressalta a professora Aline Ximenes. Ela afirma que os procedimentos de orientação e de acompanhamento das crianças com TDAH não as expõem. “A criança é tratada normalmente, faz as provas junto com as outras e tem um acompanhamento apenas se houver uma necessidade específica para isso, a única diferença é o processo de avaliação, que é pessoal e leva em conta as limitações e necessidades de cada aluno”, afirma Ximenes.

A diretora da Escola Classe 2 do Guará, Eliana Alves de Sousa, acredita que as escolas precisam de um apoio maior da Secretaria de Educação. Ela conta que as salas de aula ficam muito cheias e a presença de uma criança com TDAH torna o trabalho do professor um sofrimento. “Mesmo com a preparação que a Secretaria de Educação oferece, é comum professores chegarem chorando aqui na diretoria porque não conseguiram lidar com as crianças hiperativas.”

Eliana ressalta a importância do apoio e da compreensão dos pais. Na avaliação dela, a melhora do comportamento das crianças com o uso dos medicamentos é incrível. Mas, ainda assim, a diretora acredita que deveria haver um suporte fora da sala de aula, com alguma atividade ou orientação específica para os alunos com TDAH, como há para crianças com síndromes ou outros distúrbios. A professora e mãe de filhos com TDAH Luciane da Silva concorda que o governo deveria dar mais atenção a essas crianças.
O tratamento começa em casa

Para a terapeuta infantil Daniella Freixo de Faria, muitas vezes o diagnóstico de TDAH é dado erroneamente para simples problemas de agitação ou falta de concentração das crianças. Nestes casos, a terapeuta acredita que o problema está na estruturação familiar e na forma como os pais tratam as crianças ou agem na sua frente. Daniella afirma que uma reorganização da família (ensinando os pais a terem controle, dando limites para os filhos e tratando-os com firmeza e respeito) já é capaz de resolver praticamente todos os problemas de baixo rendimento escolar, hiperatividade e falta de concentração.

“Os pais precisam ter cuidado com o que dizem aos seus filhos. A infância é uma fase importante de formação e os filhos acabam refletindo aquilo que os pais dizem que eles são. Eles acreditam nos pais”, afirma a terapeuta. Para ela, um comentário que poderia parecer inofensivo, como chamar o filho de “mole” ou “lerdo”, pode causar um efeito similar ao TDAH. Por isso, o trabalho colaborativo entre família, escola e terapeuta são recomendados para se evitar o uso de remédios. Caso isso não resolva, o diagnóstico do TDAH pode ser feito. Mas a terapeuta insiste: “se vocês me perguntarem quantas crianças chegaram ao meu consultório com diagnóstico de déficit de atenção e depois da reestruturação familiar permaneceram com os problemas, eu digo com certeza, nenhuma”.

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Adaptação escolar


Adaptação escolar

No início do ano letivo, principalmente na educação infantil, o processo de adaptação da criança é muito importante, muitas crianças vem à escola pela primeira vez, os pais não sabem como reagir diante das lágrimas e das inúmeras expressões “não me deixe aqui”, “não vá embora”, “fica aqui”.
Os professores têm a responsabilidade de receber as crianças que chegam e ao mesmo tempo acolher as crianças que já estão na sala, é um momento que a criança deixa o ambiente acolhedor de sua família, casa, para estar em uma ambiente novo, aos cuidados de um adulto, que mal conhece.
Os pais sentem-se inseguros ao deixar seus filhos aos cuidados desses professores o que dificulta muito o trabalho do professor nesse processo de adaptação no primeiro dias de aula.
Pensando nesse processo inicial de adaptação, algumas dicas podem ser válidas para pais e professores:

Aos pais:
A princípio, os pais devem conhecer o ambiente da escola e sua proposta pedagógica, se estas estão de acordo com a perspectiva de educação e de espaço físico que você quer oferecer aos seus filhos, para que no futuro não cobre do profissional aquilo que ele não conseguirá realizar ou ofertar.
Pior que pais mal informados são aqueles que mal conhecem as propostas da escola e saem falando mal em outras instituições escolares.
Lembre-se sempre, que os professores estão em constantes contatos com outros profissionais da educação, em cursos, palestras e outro, e é muito constrangedor você ouvir boatos sobre a instituição que você trabalha ou sobre colegas de trabalho.  
Após, conhecer o ambiente da instituição, a proposta da escola e acreditar que esta será um alicerce seguro para a educação de seus filhos, a próxima etapa é questionar sobre os profissionais que atuarão diretamente com eles, sua formação, sua experiência, suas expectativas com relação da educação.
No primeiro dia de aula, não é um momento para que você tire suas dúvidas, esse é o momento de seu filho, agende um horário na secretaria da escola para conversar e esclarecer suas dúvidas com o professor.
Um momento importante para isso é na entrega de material, você pode conversar com o professor, fazer perguntas, sobre seus objetivos, suas experiências, etc. Esse momento é crucial para que pais e professores se conheçam melhor e juntos se unam na adaptação e na educação das crianças.
Os pais devem pedir aos professores, sugestões que facilitem esse processo de adaptação, que envolve separação e conquistas, devem confiar no trabalho do profissional que atuará diretamente com seus filhos e no trabalho da escola.

Dicas
Deixe seu filho na sala, despeça-se e fale a verdade, não invente histórias, do tipo “a mamãe vai ficar no carro”, “a mamãe já volta”, “vou ficar ali fora te esperando” “vou limpar o banheiro e já volto te buscar”, “tem um quarto ali só de pais”.
As crianças precisam de respostas seguras, que sejam verdadeiras, convincentes, respostas que tenham conteúdo.
Sugestão: a mamãe vai deixar você aqui na escola com a professora, vou ficar muito feliz que você tenha novos amigos, e volto te buscar no horário que as outras mães também vão voltar.
A mamãe vai trabalhar, você vai ter muitos amigos, brincar bastante e depois eu venho te buscar para que você me conte tudo sobre sua escola e seus amigos.
Claro que as crianças podem chorar com a ausência da mãe e não aceitar o que as mães dizem, mas se os pais apresentam-se seguros e confiantes no trabalho que o professor irá realizar, as crianças ficam mais tranqüilas e seguras.

Aos professores
O início do ano é muito difícil para os professores, principalmente as primeiras semanas, pois é a fase de adaptação das crianças ao novo ambiente escolar. Os professores ao mesmo tempo acolhem as crianças que chegam, “cuidam” das que estão nas salas e ainda dá atenção aos pais que fazem muitas perguntas ao mesmo tempo, o que dificultam muito o trabalho do professores nesse início de adaptação.
O principal objetivo dos professores é receber bem os alunos, com um ambiente acolhedor, um ambiente que deixe a crianças a vontade.
A qualidade do acolhimento, da forma que o professor vai tratar essas crianças, da  atenção que dispensa a ela,  dos recursos que ira utilizar  é que garantirá sucesso na adaptação dessa criança.
A criança que não chora, ou não pede para ir embora, deve ser observada com atenção tanto quanto as outras.
Tentar envolver todas as crianças na mesma atividade ou que elas queiram a mesma coisa, nesse momento ainda não é interessante, pois com o passar dos dias, com as regras de convivência, a hora da novidade, a roda de conversas, ou outras atividades relacionadas às crianças as crianças poderão expressar suas vontades seus desejos. Mas nesse processo de adaptação, os professores devem estar preparados para realizar várias atividades que as crianças possam interessar-se.
Dicas:
Preparar o ambiente pensando na diversidade de crianças que podemos ter em uma sala de aula, músicas são sempre a primeira opção, seguido de brincadeiras coletivas, histórias com fantoches ou outros recursos que podemos ter; jogos de encaixe, e até mesmo um brinquedo preferido que a criança possa trazer nos primeiro dias de aula.
Com relação aos pais, sejamos pacientes, e educados e nossa prioridade é atender as crianças, todas sem exceção, quantos aos pais... Vocês podem me dar licença que devo atender as crianças, com licença, as crianças necessitam de ajuda...
Se for uma daquelas crianças que seguram no pescoço dos pais e os pais dizem “vai filhinho fica ai com a professora ela vai se legal”, tente pegar a criança, mas não insista sem o consentimento do pai, diga ao pai, ‘eu estarei aqui, se precisar de ajuda me chamem”, faça uma atividade ou cante uma musica que possa interessar a essa criança e procure chamar sua atenção para você, para o grupo. Em uma oportunidade conversem com os pais dessa criança, e perguntem. Vocês têm medo de deixar seu filho aqui na escola? Vocês ficam angustiados em deixar seu filho na escola? Vocês sentem vontade de chorar ao sair aqui da escola e deixar seu filho chorando? E diga com firmeza, quanto mais você apresentarem insegurança, mas tempo levará para ela adaptar-se ao ambiente escolar, sejam firmes e acreditem que posso realizar um bom trabalho com seu filho.
“Não tenho a experiência que desejo, ainda e nunca vou consegui-la, pois quero aprender sempre a cada dia, com meus alunos, os pais e com a própria educação, que inova-se a cada dia.”
Elisete dos Santos, Pedagoga,
Professora de Educação Infantil e
Ensino Fundamental